Um pouquinho sobre fraldas descartáveis...
Um dos mais terríveis descartes do homem, são as ‘fraldas descartáveis’, assim como os ‘absorventes íntimos’ (veja adiante aBIOsorvente). Além das matérias primas com que as fraldas são constituídas, elas vão para o lixo biologicamente contaminadas, isto é, com dejetos humanos. Como não são recicláveis por conta da ausência de uma legislação pertinente e também da mistura de diferentes materiais dificilmente separáveis, elas continuam indo para os lixões ocupando espaços inaceitáveis e contaminando os lençóis freáticos.
É muito difícil mudar o conceito de ‘conforto’ impingido pela sociedade. Embora as fraldas descartáveis não tenham ainda (no Brasil) quarenta anos de existência, hoje, para a maioria das pessoas, é impensável retornar às tradicionais fraldas de tecido de algodão. Só o fazem quando não podem mais suportar ver o desconforto e as dermatites de contato do bebê. Ou por ordem médica, já que um número significativo de crianças é alérgica às substâncias contidas na fralda descartável. Não se dão conta de que o ‘conforto’ é só para os pais, os bebês que se danem...
Observem a composição química das fraldas descartáveis anunciadas por um dos maiores fabricantes mundiais:
Composição: (segundo site da Johnsons & Johnsons - http://www.jnjbrasil.com.br/produto.asp?produto=222
Fibras de Celulose e Polipropileno, Filmes de Polietileno e Polipropileno, Adesivos Termoplásticos, Fios Elásticos, Fragrância, Flocgel® (Poliacrilato de Sódio).
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Estas são as substâncias que vão ser misturadas com dejetos humanos e são depositadas sine die nos lixões. As justifivativas comerciais estão neste site do BNDS, e mostram importantes resultados estatísticos. Vejam só uma pequena parte...
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http://www.bndes.gov.br/conhecimento/setorial/is_g1_26.pdf
As fraldas descartáveis infantis (disposable baby diapers) têm crescente importância entre os itens de consumo da sociedade moderna. O índice de penetração desse produto no mercado (razão entre o número de usuários e o número de consumidores potenciais) varia conforme o país e/ou região: na Argentina é de 57%, no México 34%, enquanto nos Estados Unidos, Europa Ocidental e Japão fica acima de 95%. No Brasil o índice de penetração é de 27%, considerando a população infantil brasileira de até 30 meses de idade, de 9,6 milhões de indivíduos.
As fraldas descartáveis são constituídas, basicamente, de uma camada de celulose especial de fibra longa – celulose fluff - correspondendo a 70/80% do peso da fralda, à qual é adicionada uma pequena porção de gel seco (5/10% do peso). Essa combinação é revestida internamente por um filme de transfer que impede o refluxo de umidade e que, por sua vez, é coberto por uma fina camada de nonwoven que entra em contacto com a pele do usuário. Um filme de polietileno dobrado e costurado-a-quente forma, então, o corpo da fralda que é finalizada com alguns acessórios, como rayon, velcro e adesivos.
Esses componentes são utilizados em quantidades e proporções variadas, constituindo diferencial para os produtos finais, ao lhes agregar qualidade e valor. Podem ainda ser adicionadas essências aromáticas e produtos para proteger a pele. Fraldas mais sofisticadas empregam quantidades menores de celulose e maiores de gel.
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No site da Resol encontrei abundante material sobre as conseqüências do uso e ambientais decorrentes das fraldas descartáveis. Vejam só um pouquinho...
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http://www.resol.com.br/curiosidades2.asp?id=1386
Para além de todos estes problemas graves, as frequentes "dermatites da fralda", devidas à humidade excessiva e prolongada e à falta de arejamento, sofreram um aumento com a crescente utilização das fraldas descartáveis. É que com a utilização de géis ultra absorventes, a segurança de que a criança não se vai sentir molhada, prolonga o tempo de mudança da fralda e, deste modo, o tempo de contacto com a urina, e a capacidade de absorção destes polímeros pode ser prejudicial por retirar a humidade natural da pele. (observem que o problema não está, na realidade, no uso de fraldas tradicionais, mas sim, nos processos de higienização) Contudo, parece estar provado que a utilização das fraldas tradicionais em infantários e enfermarias aumenta a proliferação de infecções, já que nestes casos, apesar de lavadas, as fraldas são usadas por mais do que uma criança. É por este motivo que muitas instituições exigem a utilização de fraldas descartáveis, o que se revela um problema para pais que optem por outra alternativa.
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De fato há circunstâncias em que o uso de fraldas descartáveis pode ser considerado "inevitável", mas, acredito que a maioria das pessoas que fazem uso ou já as usaram em seus filhos, se tivessem pesquisado um pouco, pouquinho, um tintinho assim, teriam descoberto que elas são muito mais caras do que pensamos. Elas não custam apenas aquilo que pagamos por elas nos supermercados ou farmácias... ambientalmente custam uma fortuna!!!
Posso dizer que minha filha, que hoje tem 11 anos, praticamente só usou fraldas de pano. Quando nasceu, ganhou de presente um pacote do qual deve ter usado umas cinco, durante uma viagem mais complicada. Quando deixou de usar fraldas, demos o restante do pacote para uma outra criança.
Eu mesmo me encarreguei de cuidar das fraldas. Cheguei a visitar alguns sites sobre o assunto e adotamos a seguinte fórmula:
- Mantínhamos no banheiro dois baldes com água e vinagre (meio copo de vinagre, baldes de dez litros pela metade). Um era do ‘cocô’ e o outro do ‘xixi’. Todas as fraldas usadas durante o dia iam para os baldes. Naturalmente que as bardalhocas (o cocô) eram jogadas na privada antes da fralda ir para o balde.
- Quando eu chegava do trabalho, à noite, pegava o balde do ‘cocô’, torcia as fraldas (por conta do vinagre não havia mal cheiro) e passava uma água no tanque. Deixava-as lá e jogava uma panela de água fervendo para esterilizar.
- Enquanto isso, enxaguava as fraldas do ‘xixi’ e juntava ambas colocando-as na máquina de lavar. Ao invés de detergente em pó, usávamos sabão de coco em pó. O tempo de lavagem era o menor e a quantidade de água em ½ porção.
- Tiradas da máquina, já centrifugadas, secavam durante a noite.
- Na manhã seguinte, dava uma passada com ferro quente frente e verso, rapidamente, e as fraudas íam para a gaveta para serem usadas novamente.
Com 40 fraldas, demos conta de dois anos e meio, tempo em que a Júlia precisou.
Na época, fizemos as contas – contando energia elétrica, sabão, gás etc. – e chegamos à conclusão de que economizamos mais de U$ 1,000 !!!!!
Pensem nisso!!!
Mil beijos,
Cristiano